Há quem saiba como manter o equilíbrio nesse samba avulso de ritmo impreciso?
Se ousarem um sim. É invenção.
Se ousarem um sim. É invenção.
Cada cabo de aço fixado com empenho e exaustão funciona apenas como vínculo, eixo de realidade. Engradeado de dúvidas, a réplica da ilusão. Possui parede, muros altos, conceitos cimentados, uma miragem de edificações, caixinhas enfileiradas, amontoadas, ordenadas, ferros e barras nas janelas, para que entre ar, mas continue tudo intacto. Com um canudinho sugo dois pingos de alguma realidade alheia,e por instantes, sou aquele líquido. É fácil sair do 'eu', apesar de cada traço disso carregar a parte fibrosa de um bife de egoísmo. Mesmo assim parto, parto de mim e viro só o retrato, a imagem congelada, olhos confusos, fisionomia descarada. Vez por outra minha ida se transfigura em um riso, não é riso de graça, nem muito menos pago algo por ele, é apenas a brecha do escape. Por certo o gosto de 'não ser' agrada esse paladar, como um 'glitter existencial' (milagre). Retorno tonta sempre que lanço minha reta sem triscar o plano, titubeio na volta, revejo meu horizonte, faz sentido, mas não é único. Todo conceito de certo pode ser divido, desfiado, toda virtude exacerbada carrega a mancha de um desespero estasiado. Os farrapos que trago desses becos onde me meto são sempre costurados, tenho um mural de pequenos feitos desprezados, de detalhes do que é a todos confiado. Há um confinamento enclausurando todo ser pensante. Difícil é aguar a razão defronte do embate sem explicação, delicado é alimentar a sanidade sem contrato ou garantia de qualquer 'verdade'. Nos dias 'explosão' sou cortada e não vejo a lâmina, não sei o que me atinge e não pertenço a nada que realmente ame. São surtos, crises, são ambiguidades difamatórias, mesquinhas e irritadiças, tal qual o ciúme. 360° (longe da gravidade e girando), náusea, anseio e terror, sucumbo ao sorrateiro. Nunca aprendi o caminho de volta, mas há um padrão certeiro, sempre torno. Lembrarei de deixar picotes de alface marcando o retorno, espero alcançar o x com a mão e que o y esteja entre o átrio esquerdo e direito do coração. Na pior das hipóteses uso minha coleção de recortes, tiro os pedações de universos que moram no baú do meu sofrimento inferno e decoro lindamente minha solitária prisão.
~Ah, hoje coloquei duas colheres de açúcar a mais no café~
(quando o amargo é adocicado lembro de como me sinto com você ao lado)
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