14 de ago. de 2014

Navalha.

Dou um gole. O álcool toma conta e arde!
Meu ardor é escuro, não ávido, nem brusco.
Simplesmente destonante.
Tenho uma relação saborosa com o que arde.
Não é necessariamente o gosto pela dor.
Aproximar-se ao aprazer, é a experimentação do sofrimento ritmado.
Deitava no chão gelado.
Riscava alguns traços.
O perfume escorria misturado com o vermelho.
A agonia corria pela espinha.
Vontade de sossego.
Tudo tremia, o corpo chorava.
E ocorria uma mágica.
O segundo anterior ao alívio.
O minuto antes da calma.
A realidade transtornada se alinhava em frescor.
Puramente gélida.
Friamente confortável.
Plenamente satisfatória.

Nenhum comentário: