Visitei o consultório do meu antigo psiquiatra, cruzei a porta da sala de espera dando de cara com duas figuras visivelmente atormentadas e perdidas, automaticamente tive a sensação que já passei pior. A definição da loucura é tão ilusória quanto qualquer concepção de realidade e entendimento do abstrato. Particularidades e incômodos ínfimos são agitados potencializando a angustia de alguns intelectos, noto que a inquietude de alma é proporcional a sensibilidade de pensamento e liberdade de raciocínio.
Interiorizo o que entorna meu arredor, sou alimentada e nutrida por sensações contrastantes, sinto o gosto das dores alheias e a cor da tristeza dos cândidos. Mas a tendência do espírito dócil é engrossar quando brilha no caos desnorteado, nessa arena toda inclinação forasteira segue a maré rigorosa que deflora uma pureza fria apática, é duro... Afinal nunca foi simples ir de encontro ao cardume.
Na
amargura avisto virtudes assustadas recolhendo-se a um porto e tropeço entre brandura e rispidez, quando berros e trevas são propagados com orgulho
pergunto qual será a espessura necessária dessa couraça que continuo tentando bordar e
torço pra que a linha não apodreça como o resto.
O plano é manter a fluidez, continuar macia, suportar o ardor e nunca cruzar a fronteira imposta, ainda que machuque, apesar da crueldade e além de qualquer rancor. Nessa dança de primaveras e no espaço frenético entre dias entalho simpatia e guardo memórias de feitos mínimos, em tese, sou um vaga-lume moribundo entristecido pela fermentação pútrida da aspereza no mundo.
O plano é manter a fluidez, continuar macia, suportar o ardor e nunca cruzar a fronteira imposta, ainda que machuque, apesar da crueldade e além de qualquer rancor. Nessa dança de primaveras e no espaço frenético entre dias entalho simpatia e guardo memórias de feitos mínimos, em tese, sou um vaga-lume moribundo entristecido pela fermentação pútrida da aspereza no mundo.
Dizem que uma
determinação reaviva qualquer âmago, então faço desse trecho reza:
‘Não vou me deixar embrutecer
Eu acredito nos meus ideais
Podem até maltratar meu coração
Que meu espírito ninguém vai conseguir quebrar!’
2 comentários:
Que texto foda, amor! Você... reina nesse canto.
É preciso o contraste pra dar avivar o brilho das coisas, das mais simples e menos notadas. Chegue cá, infâmias e merdas serão lançadas contra nós, mas, nosso escudo é resistente, é poderoso. Te protejo. Te cuido.
É difícil continuar macia no meio de um mundo tão lindo cheio de pessoas tão podres e medíocres. O nosso canto no meio do mato não saiu dos planos, iremos para longe dessas pessoas mesquinhas, só nós duas, amor.
Trecho perfeito. Escolhido a dedo. Não irá embrutecer, não. Ficar mais firme é preciso, mas não se embrutece um coração tão pleno assim...
'Nessa dança de primaveras e nos espaço frenético entre dias entalho simpatia e guardo memórias de feitos mínimos, em tese, sou um vagalume moribundo entristecido pela fermentação pútrida da aspereza no mundo.' Lindo, cru e duro.
Amo você, minha bichinha.♥
Incrível como as coisas podem mudar dependendo de que lado da vidraça se está... Mas uma coisa é certa... esse também é meu mantra, desde sempre...
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