20 de dez. de 2012

Engolindo sombras.


Noto o rajado cobrindo cada risco. Estendendo a mão posso alcançar qualquer chama de cuspe granulado. Engulo realces e me despeço do bordado colorido, deixo escapar apenas meu querido escarlate. 
Bebo o gélido,  sinto; É preto e fino. Frio, escorregadio  e muscoso. Algumas ausências acariciam minha alma (hoje amarga), são faltas atípicas que empurram nessa tênue desordem. 
Forjo uma cortina, fina e sórdida, a película que tenta ardentemente conter meu universo perturbado. Meu véu, o trapo que se arrisca ao segurar essa realidade, o invólucro que protege a vida, guardião de toda demência! 

Mas intimamente eu sei, esse brilho salpicado e perdido que acomoda meu olhar é a salvação.

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