Amo os segundos, cada parte deles... O que antecipa o rubor, aquela sensação estranha invadindo os poros, coisa conhecida, partilhada e ainda assim... Surpreendente.
Eu consigo medir a extensão de cada segundo desse e da mesma forma caminhava assistindo as coisinhas que se mexiam dentro da gota de chuva presa nas lentes dos meus óculos folgados. Na verdade elas sempre dançaram pra mim, notava os pingos de água que se ligavam entre um cílio e outro, lembro da luz amarelada e baixa do banheiro logo à direita, após a escada... Elas se mexiam, digo... as partículas, não as escadas. Eram poeiras perambulando por uma membrana absurdamente frágil.
Quando pequena pensava se era exatamente isso que eles viam pelo microscópio, imaginava como seria perfeito ter um e passar a enxergar o mundo inteiro assim. Pensava também se os pontinhos existiam pra todo mundo, se eu seria uma boa observação, ou só uma moleca de imaginação muito fértil. (provavelmente os dois)
Bem...
As chuvas continuam e as gotas se atrelam gentilmente nas lentes dos meus óculos em cada tempestade, o banheiro continua o mesmo e apesar do mundo inteiro insistir para meu pai trocar aquela lâmpada amarela “que só gasta energia”, ela continua lá, baixa como de costume..
Quanto aos pontinhos...?
Dançam pra mim todas as noite. Dia desses pensei tê-las ouvido cantar, mas claro que não ... isso seria coisa de doido. rs
Tem o lado bom... Ou eu nunca fui maluca, ou graças a deus continuo assim.
Boa madrugada de segunda/terça e me lembrem de contar a teoria de como perceber e enxergar o mundo completamente redondo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário