Se tivesse um filho, o ensinaria primeiro sobre a contradição desse mundo, incluindo a minha vontade de escrever o futuro completamente diferente do que foi meu passado, ou o desejo extremo de traçar uma linha afastada de tudo que fui, fiz e quis.
Depois explicaria minha frustração por saber que essa linha pertence unicamente a ele..e que nunca passarei duma fotógrafa atenta e tensa acompanhando as poses da cria.
Não é que não goste do que sou hoje, nem muito menos que pense em colocar uma criança de cachinhos dourados e olhos claros nesse mundo do cão, mas acho saudável se imaginar numa posição que ainda não é sua...
Em dias como esse o mundo muda de figura, o eixo da sua percepção se altera completamente.. Daí você entende e admira o conhecimento dos seus pais, mas ainda assim segue sua mente nova e crua tentando aprender por onde não ir, pra quem sabe um dia impedir seu filho de fazer tudo que você ainda quer fazer antes de morrer.

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