16 de dez. de 2010

Marvin. s2


"― Marvin! ― exclamou ele. ― O que você está fazendo?
― Não fique achando que você tem obrigação de se importar comigo, por favor ― disse Marvin, com uma voz monótona e abafada.
Mas como é que você está, sua lata velha? ― perguntou Ford.
― Deprimidíssimo.
O que houve?
― Eu nem sabia que tinha havido alguma coisa ― disse Marvin.
― Por que ― indagou Ford, acocorando-se ao lado do robô, tremendo de frio ― você está deitado de bruços na poeira?
― Pra quem está com o astral lá embaixo, é um prato cheio. ― disse Marvin. ― Não finja que você está com vontade de falar comigo.
Eu sei que você me odeia.
― De jeito nenhum.
― Odeia, sim, você e todo mundo. Faz parte da estrutura do Universo. É só eu falar com uma pessoa que na mesma hora ela me odeia. Até os robôs me odeiam. É só você me ignorar que eu provavelmente vou desaparecer do mapa. O robô levantou-se e ficou olhando para o outro lado, irredutível ― Aquela nave me odiava ― disse, apontando para a nave policial.
― Aquela nave? ― perguntou Ford, subitamente animado.
― O que aconteceu com ela? Você está sabendo?
― Ela passou a me detestar porque falei com ela.
Você falou com ela? Como assim?
― Muito simples. Eu estava muito entediado e deprimido, e aí me liguei na entrada externa do computador. Conversei por muito tempo com o computador e expliquei a ele a minha concepção do Universo ― disse Marvin.
E o que aconteceu? ― insistiu Ford.
― Ele se suicidou ― disse Marvin, e foi caminhando em direção à nave Coração de Ouro."

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