Lembro dela! De como levitava entre as ondas, gemia com o vento e cantava em capela na madrugada. O prazer atormentador e singelo. Sabe aquele sonho perfumado que deixa o cheiro perdido no travesseiro?!
É! Nem todos lembram, mas os sonhos com ela são mais doces. Lábios de cereja e sopro gélido, pele branca, lívida, macia e aveludada, o vento cruza seus cabelos de cetim enquanto o vestido longo de seda preta dança no ar. Ela olha, ler, apura e rouba cada sensação tua.
Pupilas dilatadas e olhar amarronzado, parece mito, uma fada, bruxa, sombra, ou quem sabe só serpente. Não sei, talvez eu que seja demente, mas nada parecia tão real quanto os olhos que saltavam dentre os fios negros.
No contorno da franja corriam linhas douradas brilhantes e métricas, a lua coloria a palidez atrevida e o prateado realçava cada detalhe desnudo exposto como pérola recém nascida. Ela é poética. Uma poesia maliciosa, eu diria!
Entre um sonho e outro fica o ar denso e o sabor vermelho.
De onde ela é?!
Dos sonhos, ora! De onde mais?! Sério que vocês nunca pensaram em um mundo paralelo onde seres deslumbrantes comandam e encantam as mentes adormecidas? É lá onde a mágica acontece, ela vive correndo por mundos sonolentos, esquenta as madrugadas e abriga temores noturnos. Voando sobre pistas imaginárias e saltando de cachoeiras fantasmas ela nos marca onde nada jamais poderá chegar, perfura o íntimo de todo e qualquer prazer, aguça o carinho dos fantasmas e amortece a lembrança já falha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário